Dessa mistura entre índios, negros e portugueses surge uma nova modalidade étnica, em especial uma denominada “caboclo”, a união do índio e do português. Enquanto havia nas grandes cidades era mais intensa, em especial as litorâneas e a capital, no interior as dificuldades eram enormes. O caboclo, espalhado pelo sertão para geralmente exploravam as terras para cultivo de alimentos para a subsistência. Localizados em áreas de difícil acesso, de matas e animais selvagens, isolados e em comunidades rurais, eles viviam de modo rústico e distante da civilização. De maneira geral, os moradores se agrupavam em bairros rurais. Com o passar do tempo, um e outro se desenvolvia e se transformava em cidade.

Com o fortalecimento das culturas da cana-de-açúcar e do café em São Paulo, surge a elite agrária do interior paulista, ao contrário do engenho e do usucapião do café. Fazendas e mais fazendas eram instaladas no interior afora, colônias são construídas para abrigar os trabalhadores caboclos, principalmente os imigrantes mineiros e nordestinos, assim como os imigrantes, para trabalharem na lavoura. Os acessos às fazendas eram precários e muitas vezes inexistiam, dificultando o escoamento dos produtos agrícolas. A partir da década de 1870, a elite agrária, que também ocupava os principais postos do governo, começa a implantar as primeiras companhias ferroviárias que estenderiam a região de Campinas e posteriormente o interior paulista em busca de suas riquezas agrícolas, além de Rio, Paulista, Mogiana e Sorocabana.

O GRANDE MOTOR DO DESENVOLVIMENTO E AS NOVAS CIDADES

Um ramal ferroviário torna-se de grande interesse para a nossa região estudada. Começou com um trecho da Companhia Carril Agrícola Funilense (1870 a 1890), posteriormente denominado Ramal Férreo Campineiro (1890 a 1905), mudando novamente sua denominação para Estrada de Ferro Funilense (1905 a 1924), subordinada ao governo do estado e, a partir dessa data, incorporada pela Estrada de Ferro Sorocabana. A Funilense, com pouco menos de 100 km de extensão, construída inicialmente da Usina Esther (Cosmópolis), partindo do centro de Campinas, visava o transporte principalmente do açúcar e o café para Santos com destino ao exterior. Decorre do comando o Doutor Barão Geraldo, Paulínia e Cosmópolis. Com a grande valorização do café e a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas para o seu cultivo, inicia-se a expansão do ramal ferroviário, até chegar às barrancas do Rio Mogi Guaçu. Dessa nova linha surgem as vilas e cidades de Artur Nogueira, Engenheiro Coelho, Jaguariúna, Conchal e Pádua Salles. Ela foi desativada em 1960 e desapareceu com a retirada dos trilhos em 1962.

A partir de 1850, com a proibição internacional do tráfico de africanos, os fazendeiros de Campinas passam a buscar novas alternativas para suprir a mão de obra, com a elevação do preço do escravo no mercado, procurando desenvolver novas atividades produtivas.

 

Retratos de Engenheiro Coelho       Site: p 5-5