O PRINCÍPIO DE TUDO
A proposta desse livro é o resgate da memória iconográfica do município de Engenheiro Coelho.
A importância desses edifícios e locais ao seu redor é que eles sempre estiveram ligados a eventos representativos da vida da cidade: o primeiro caso, o nascimento de mais um membro da família; a igreja e as festas religiosas e folclóricas; a cerimônia e evento do casamento; a escola; o local de trabalho; o jogo de futebol; o campo de aviação; a chegada do trem, etc.
Entre os estudiosos da história da civilização, é comum o uso do termo povo com história e povo com memória. É exatamente nesse conceito que se insere e se apresenta esse primeiro álbum fotográfico impresso.
Nessa primeira edição, até mesmo por não ser esse o principal objetivo dessa publicação, não conseguimos reunir todos os documentos, fotos e fatos marcantes representativos da implantação, evolução e desenvolvimento da nossa cidade, afinal esse é o primeiro passo de um processo que requer tempo e mobilização da sociedade. Muitos desses registros ainda desconhecemos, ou são relíquias pessoais e familiares que ainda estão guardadas como tesouro em cofres, caixas e gavetas. Provavelmente, esse primeiro volume estimulará o aparecimento de novas coleções que serão incorporadas ao nosso banco de dados, fonte para a edição de outra publicação e constituição do Centro de Memória de Engenheiro Coelho. Enfim, acreditamos no processo de atualização dessa obra com o objetivo de preservar a memória.
No princípio, essas terras eram habitadas pelos nativos indígenas, os autênticos brasileiros, depois de sua ocupação pelos portugueses, os primeiros imigrantes. O processo de colonização sempre teve a economia mercantilista como foco principal da conquista dessas terras. Ele iniciou-se com a exploração do pau-brasil, passando pela exploração do barro e, mais tarde, pela implantação da cultura da cana-de-açúcar, posteriormente a procura do ouro e pedras preciosas nas Minas Gerais e, finalmente, o plantio do café. Inicialmente, o português tentou empregar o indígena. Após o insucesso dessa tentativa, eles foram buscar os negros na África, trazendo-os na condição de escravos para trabalharem em todas essas atividades.
Em meados do século XIX, a cultura do café encontra nas terras paulistas o local ideal para a exuberância de seu florescimento. Entretanto, com a falta de mão-de-obra suficiente para atender ao crescimento da produção, em especial para exportação, inicia-se uma nova era de ocupação do país. O governo brasileiro passa a incentivar a imigração europeia, destacando-se os povos alemão, belga, suíço, austríaco, espanhol, italiano, japonês e outros. Os imigrantes contribuíram com novos conhecimentos e nova cultura, convivendo com os que aqui já estavam.
No final do século XIX, após a abolição da escravatura, muitos negros continuaram nas fazendas.